Marisa Ono me presenteou generosamente com deliciosas cabeças de alho negro. Ela me perguntou se eu estava a fim de uns alhos amassadinhos, daí faltou só eu ir até Ibiúna pegar, hahaha. E receber a notícia de que o pacote estava a caminho foi uma alegria super hiper enorme de grande, pois veio logo depois de (1) mais de 24 h sem dormir, para fechar um trabalho com prazo apertado, (2) apagar acidentalmente o trabalho na hora de entregar (GRRRRR) e (3) refazer do jeito que dava até o meio da tarde. Do trabalho, estou de ressaca até agora, mas do alho negro, mil e uma ideias aqui.
Para quem costumava acompanhar este blog, já teve um post aqui. E enquanto as teias se acumularam, Marisa conseguiu mais conquistas e inaugurou um blog para o alho negro.
Bem, logo que eu abri a caixa do Sedex, primeira coisa: experimentar cru. Nham!!! Delírios devidamente registrados no twitter. Depois, deu vontade de entrar na cozinha de novo. E quando twitei isso para ela, veio a resposta "Entrar na cozinha? O Joachim (meu abominável monstro da pia) vai deixar?" Expliquei então que Joachim está de férias. O calor dos últimos tempos atiçou umas formigas miudinhas, que são tão desesperadas e esfomeadas que correm atrás até da minha comida e dos restos que ficam na pia.
Mas falando no alho: hoje foi toda a primeira cabeça. Um terço dos dentes eu comi crus mesmo. NHAM NHAM NHAM. Trata-se de uma iguaria sofisticada. Puro, ele é ótimo com vinho ou, para a gente aqui de casa, suco de uva integral diluído em água com gás São Lourenço (nosso "refresco à moda do papai") O sabor desperta em etapas. Juram por aí que vinho é assim, mas eu nunca consigo perceber... só vim saber o que é "comida que evolui na boca" com esse alho negro da Marisa.
O cheiro e o corpo lembram shoyu com açúcar. Para nikkeis como eu, isso desperta lembranças de infância: comer mochi assado com shoyu e açúcar na manhã de Ano Novo, um para cada ano de idade que se completa nesse novo ano. A quantidade de mochi não é exatamente uma boa lembrança. Mas o mochi, recém-assado, derrete a mistura de açúcar e shoyu e forma uma calda. Essa mesma que me veio à mente logo de cara. Eu particularmente gosto muito.
Depois de mastigar, curtir o sabor e a consistência delicada e então engolir, vem a constatação de que, mesmo depois da fermentação controlada, é alho mesmo. Bem interessante, só desperta depois. É como certas pimentas, que têm efeito postergado. Para quem gosta de alho, um prato cheio. Muito bom!
Bem, por hoje fico aqui. O próximo post é sobre meu primeiro prato com alho negro. Aguardem!
1 comentários:
Salivei, Myrna! Parece muito bom. Vou procurar. Por outro lado, não gosto muito de shoyo e essas suas lembranças de infância são inexistentes pra mim. Posso não gostar, sei lá. Se bem que alho é alho, e eu adoro!!
Beijo e parabéns pelo espetáculo de sabores que você está vivendo! Marisa Ono arrasou!
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